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Assim que eu estava prestes a assinar a certidão de casamento, a prima do noivo começou a chorar, ajoelhou-se no meio do altar e disse: "Não se case com ele. Você é a quinta mulher que ele leva ao altar nos últimos três anos..." O que ela revelou em seguida deixou todos os convidados com o sangue gelado.

#ContoCurto #Ficção #Autoral O conteúdo do conto acima é apenas para entretenimento e é totalmente fictício.


CAPÍTULO 1: O BRILHO DA ILUSÃO
O sol de final de tarde em Curitiba entrava pelos vitrais da Catedral, desenhando mandalas coloridas sobre o tapete vermelho onde eu caminhava. O som do órgão, que minutos antes parecia um hino triunfal de amor, agora ecoava como um prelúdio de algo que eu ainda não conseguia decifrar. Ao meu lado, Ricardo exalava aquela segurança calculada que sempre me encantou. Ele era o homem que toda brasileira, em algum momento de carência ou sonho, almejou: bem-sucedido, dono de um sorriso que parecia ter sido esculpido para comerciais de TV, e um cavalheirismo que, em tempos de superficialidade, soava como uma relíquia bem-vinda.

Nós nos conhecemos numa festa de casamento de amigos em comum, na serra gaúcha. Ele foi o homem que, entre uma taça de vinho e outra, ouviu meus medos sobre a carreira e as incertezas de um futuro solitário. Foi rápido, intenso, como uma tempestade de verão. Em seis meses, já estávamos planejando nossa vida. Minha mãe dizia que era "destino", embora meu pai sempre franzisse a testa ao observar a postura de Ricardo — ele achava que o noivo era "polido demais", uma observação que eu atribuía ao conservadorismo do meu velho.

Chegamos ao altar. O padre sorria, a igreja estava lotada de gente influente, flores caras e aquele cheiro de lírios que inebria. A caneta tinteiro, presente de seu pai, repousava sobre a mesa de madeira entalhada. Eu sentia meu coração batendo na garganta, não apenas de alegria, mas por aquela estranha sensação de que algo estava fora do lugar, um descompasso sutil que eu vinha tentando ignorar desde que notei o comportamento errático de Ricardo ao telefone, sempre se escondendo nos cômodos mais distantes da casa.

Eu peguei a caneta. Ricardo segurou minha mão, seus dedos estavam gelados, mas sua expressão permanecia serena, quase magnética. Foi então que o silêncio da igreja foi rasgado. Não por um grito de raiva, mas por um soluço seco, agudo, que parecia vir das entranhas.

Lívia, a prima de Ricardo, uma moça discreta que eu mal vira durante os preparativos, estava ajoelhada no corredor central, as mãos sujas de rímel borrado, os olhos arregalados, fixos em nós dois. O murmúrio na igreja foi instantâneo, como uma onda que quebra contra o rochedo.

— Não... por favor, não faça isso! — ela soluçou, a voz ecoando pelas abóbadas.

Ricardo tentou manter a compostura, mas notei um espasmo na mandíbula.
— Lívia, levante-se. Você está passando vergonha — ele sibilou, sua voz mantendo um tom de autoridade que me fez recuar um passo.

Ela ignorou. Ajoelhada, ela arrastou-se alguns centímetros na minha direção. — Você não tem ideia do que está assinando, Beatriz. Você é a quinta. A quinta mulher que ele traz para este altar nos últimos três anos.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Eu olhei para Ricardo, esperando uma risada, um pedido de desculpas pelo "surto" da prima, qualquer coisa que dissipasse aquela névoa. Mas ele apenas me encarava com uma frieza que eu nunca vira antes. Seus olhos, antes cheios de uma paixão que eu julgava eterna, agora pareciam dois poços sem fundo.

— O que ela está dizendo, Ricardo? — perguntei, sentindo o mundo girar.

Lívia não esperou a resposta dele. Ela apontou para o pescoço de Ricardo. — Olhe para trás da orelha dele, Beatriz. Procure pela marca que ele esconde com a maquiagem. Ele não apenas se casa. Ele coleciona.

CAPÍTULO 2: AS SOMBRAS DA MEMÓRIA

A igreja transformou-se num cenário de um filme de suspense barato, mas o medo era visceral, real. Senti o suor frio escorrer pelas costas enquanto os convidados começavam a se levantar, os sussurros transformando-se em um zumbido insuportável. Minha mãe, lá na primeira fila, empalideceu a ponto de parecer uma estátua de mármore.

— Ricardo, o que é isso? — eu exigi, tentando soltar minha mão da dele. Ele não me soltou. Apertou mais.

— Lívia sempre teve problemas mentais, Beatriz. Ela é obcecada pela ideia de que eu sou o centro de tudo — disse ele, voltando-se para a congregação com um sorriso ensaiado que não alcançava seus olhos. — Ela teve um surto. Por favor, convidados, ignorem. Vamos continuar.

Mas a semente do pânico já tinha sido plantada. Eu me lembrei, num estalo, daquelas vezes em que ele chegava em casa com pequenas escoriações que dizia serem de "acidentes na academia". Lembrei-me das fotos que nunca apareciam de seus casamentos anteriores — ele dizia ser viúvo, ou divorciado de formas traumáticas. Eu nunca pressionei, respeitei o espaço dele como uma boa noiva faria.

Lívia levantou-se, cambaleando, e caminhou até o altar. Ela parecia uma sombra assombrada. — Ele se casa por contrato, Beatriz. Não é por amor. Ele precisa de herdeiras de linhagens específicas. Ele extrai tudo delas, a juventude, os sonhos, a fortuna, e depois... as faz desaparecer da sociedade como se nunca tivessem existido. As quatro anteriores não morreram, não. Elas estão vivas, mas em um lugar onde o sol não bate, esperando que alguém as encontre.

Eu senti uma náusea insuportável. — Como assim "extrai"? — minha voz falhou.

Lívia abriu sua bolsa e tirou um envelope pardo. Ela o lançou sobre a mesa de madeira, ao lado da certidão de casamento. Fotografias, documentos, extratos bancários de contas que eu nunca ouvi falar, com nomes de mulheres que, em uma rápida análise, pareciam ter traços físicos semelhantes aos meus. A imagem de uma mulher, com um vestido de noiva idêntico ao que eu usava, com o olhar perdido, fixado em algo que não estava ali, me causou um arrepio que subiu pela espinha.

— Você não é a primeira, e com certeza não será a última, a menos que saia daqui agora — disse Lívia, olhando para mim com uma compaixão profunda. — Ele é um predador, um homem que manipula o tempo e a identidade.

Ricardo soltou minha mão e, num movimento rápido, tentou agarrar o envelope. Eu, movida por uma intuição que superou o choque, o peguei primeiro. Ele me olhou, e por um segundo, vi o monstro. Não era a raiva, nem a mágoa. Era um tédio absoluto, o olhar de quem vê um brinquedo quebrado.

— Você nunca deveria ter deixado ela entrar, Lívia — ele disse, a voz calma demais. — Agora, você estragou o espetáculo.

Os seguranças da igreja, homens que eu acreditava terem sido contratados por nós, começaram a se aproximar. Mas não para conter Lívia. Eles cercaram o altar, bloqueando a visão dos convidados. O drama tinha ultrapassado o limite do social. Estávamos agora em um território de horror psicológico.

CAPÍTULO 3: A LIBERTAÇÃO DO PESADELO

A atmosfera na igreja era de uma tensão tão densa que quase podia ser cortada por uma faca. Os convidados estavam paralisados, divididos entre o desejo de filmar tudo com seus celulares e o medo instintivo de serem notados pelos seguranças de Ricardo. Minha mente, porém, funcionava com uma clareza cortante.

Eu olhei para o envelope em minhas mãos e, num gesto rápido, abri-o. Não eram apenas fotos. Eram certidões de óbito falsificadas, transferências de propriedade em meu nome que eu nunca assinei — procurações que ele obtivera através de documentos que me fez assinar "para o nosso seguro de vida". Ele não queria apenas uma esposa; ele queria um meio para limpar seu nome, para herdar bens e desaparecer.

— Você é um monstro — sussurrei, sentindo a coragem se tornar uma chama acesa no meu peito.

Ricardo deu um passo à frente, ignorando a plateia. — Eu sou um homem que sabe o que quer, Beatriz. Você é apenas uma peça no xadrez. Se não cooperar agora, a história será muito mais curta e menos glamorosa do que você planejou.

Ele subestimou o espírito de uma mulher brasileira. Ele pensou que eu era aquela noiva submissa que ele moldou durante os últimos meses. Ele não conhecia a força que vinha da minha linhagem, de mulheres que enfrentaram ditaduras, crises econômicas e abandonos, mas que nunca perderam a dignidade.

Eu olhei para a porta da igreja. Meu pai, que sempre desconfiara de Ricardo, estava ali, junto com outros homens da minha família. Eles haviam notado a movimentação dos seguranças. Sem precisar de ordens, meu pai, um homem de mãos calejadas e olhar firme, avançou.

— Solte ela, rapaz — a voz do meu pai não era um pedido, era uma sentença.

Ricardo riu, um som seco e desprovido de qualquer humanidade. — Você não sabe com quem está lidando, velho.

Nesse momento, a polícia, que já havia sido acionada por uma ligação anônima — provavelmente a própria Lívia —, entrou pelos fundos. O caos se instalou. Foi uma cena digna de uma tragédia grega, onde o luxo e a ganância colidiam contra a verdade nua e crua. Ricardo tentou correr, mas foi contido pelos agentes, não sem antes lançar um último olhar para mim. Não era um olhar de arrependimento, mas de promessa. Ele voltaria. Ou, pelo menos, é o que ele acreditava.

Lívia, exausta, sentou-se no degrau do altar. Eu me aproximei dela e coloquei a mão em seu ombro. Ela tinha sido a única que teve a coragem de quebrar o silêncio.

— Por que você esperou até o altar? — perguntei, ainda tremendo.

— Porque ele sempre se sente invencível nesse momento — ela respondeu, com um sorriso triste. — E é quando a máscara dele cai. Ele precisa da plateia, precisa do "sim". Quando você diz "não", ele perde o poder.

Saí daquela igreja não como uma noiva abandonada, mas como uma mulher que escapara por um triz de um destino sombrio. Olhei para o meu vestido branco, agora manchado de poeira e lágrimas. O casamento tinha acabado, mas a minha história de verdade estava apenas começando. Ricardo foi preso, os documentos que ele usava foram expostos, e as quatro mulheres antes de mim foram encontradas, vivendo em um estado de choque profundo, mas finalmente livres daquele pesadelo que ele chamava de "matrimônio".

O Brasil é um país de muitas histórias, mas poucas como a minha. Aprendi que o luxo pode mascarar a podridão, e que o amor, quando parece perfeito demais, quase sempre tem uma face escondida, sombria, esperando a hora certa para emergir. Mas, no final, a luz da verdade, por mais dolorosa que seja, é sempre a única saída possível. Voltei para casa, tirei o véu, queimei as lembranças e, pela primeira vez em meses, pude respirar sem sentir que estava sendo vigiada. Eu não era a quinta. Eu era a sobrevivente.

‼️‼️‼️Nota final para o leitor: Esta história é inteiramente híbrida e ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, eventos ou instituições reais é mera coincidência e não deve ser interpretada como fato jornalístico.
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